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UM FIO DE LEMBRANÇAS (COMEMORAR O QUÊ?)

No dia 12 de agosto, é comemorado o Dia Nacional das Artes. E quando se fala em Artes, se fala em cultura; quando se fala em cultura, se fala em povo; quando se fala em povo, se fala em produção e realização cultural, pessoal e comunitária; e quando se fala em realização cultural, vêm-nos à mente um conjunto de atividades artísticas dos mais variados tipos como o teatro, a pintura, a música, a literatura, a dança, o cinema, a fotografia, o artesanato, a cerâmica, a arquitetura, o circo, a televisão, as comunicações, entre outros formatos que revelam a criatividade, o talento e o esforço do ser humano quando a palavra-chave é criar.

Esse conjunto de imagens que enchem os olhos de qualquer artista e até dos leigos da arte, nos leva a lembrar de produções artísticas como o sorriso de Monalisa, de Leonardo Da Vinci e dos quadros do bacabalense Roberto Lago; de O pequeno Príncipe, de Antoine Exupéry e das poesias dos imortais da Academia Bacabalense de Letras; da 5ª Sinfonia, de Beethoven e da tocante música Sementes de um poeta, do nosso Assis Viola; da Torre Pizza, na Itália e da nossa singela Vila Maria em frente à prefeitura; do cinema mudo de Charlie Chaplin e de O Caminho Proibido, de Rogê Francê; do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro e da estátua de O De(u)sconhecido – por assim dizer – erguida em frente ao Armazém Paraíba; do famoso drama Romeu e Julieta, de Willian Shakespeare e do dramaturgo brasileiro de Nelson Rodrigues e da peça Bacabal nos Braços de Artistas, da nossa Dalva do Teatro; dos vasos gregos e indígenas e das peças artesanais de Malaquias, em frente à BIASA; enfim, essas produções culturais nos levam a lembrar de feitos artísticos que só enriquecem a história de um povo. E ao lembrarmos do povo, lembramos de nossa terra, de nossa gente, de nossos costumes e tradições, de feitos e fatos culturais de outrora vivenciados entre nós. E nessas lembranças, lembramos de nós mesmos, os artistas e de sua arte. E ao lembrarmos da arte local, vemos que ela é rica e variada. E lembramos que ontem ela parecia tão viva, tão sólida, tão rica, tão bela, tão ela… Era, num pretérito que já se fazia imperfeito. Todavia, como um sonho, acordamos e pasmamos diante de uma triste e pior realidade: nossa arte está morta. Morta em produção, morta em diversão, morta em oportunidades, morta em realização, morta por não ter apoio; morta de querer e não poder; morta de poder e não quererem, morta em quase tudo, morta de vergonha…

Então ficamos a perguntar: Cadê nossa cultura? Cadê a prefeitura? Cadê a postura? Cadê nosso Conselho? Por que não o quiseram? Cadê o dinheiro?  O gato comeu?

Oh, cidade sem sorte ou cidade sem lei? Princesa do Mearim ou Gata Borralheira? Bacabal ou Bacabaúúúúúh? Cidadezinha sem-vergonha! Na verdade, vítima. E ela apenas chora diante das perguntas que não querem calar: Para onde caminhas? Onde queres chegar? Aonde estão te empurrando? Por que não reages?

São tantos os teus problemas que já não os conta mais e já não resistes tua própria sede.  Às portas do teu centenário, atravessas tua pior crise. Era para ser o contrário, pois não mereces isso. Não mereces mesmo. Nunca mereceste. Sempre foste gentil e hospedeira ao nativo e ao estrangeiro. E por que te matam em troca do poder e da ganância? Sempre botaste fé em quem tem te decepcionado. Em troca de teu leite estão te sugando, te sucateando e rindo de ti e do teu povo na tua cara.

E ainda vem essa de Dia Nacional das Artes!… Quanto a isso, não resta esperar nada, resta apenas um fio de lembranças dos feitos imperfeitos de ontem. E hoje, comemorar o quê? Afinal, arte é uma m… que não dá lucro, só despesa.

Edgar Moreno – heterônimo de Costa Filho, membro da Academia Bacabalense de Letras



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