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“O que estão fazendo com a democracia e com nossa privacidade?”, o cinema como uma pedagógica e necessária reflexão*.

“Parece meio apocalíptico, mas parece que estamos entrando numa nova era. Sabemos que os governos autoritários estão em ascensão. E estão usando essa política de ódio e medo no Facebook. Veja o Brasil. Há esse extremista de direita que foi eleito. E sabemos que o WhatsApp, que faz parte do Facebook, estava claramente implicado na divulgação de fake news lá.” “[…] dividir e conquistar. Essas plataformas que foram feitas para nos conectar, agora são usadas como armas. E é impossível saber o que é o quê, porque está acontecendo nas mesmas plataformas onde conversamos com nossos amigos ou compartilhamos fotos de nossos bebês. Nada é o que parece.”

O texto acima não foi extraído de um filme do gênero ficção científica. Ele está lá, como um alerta, no excelente documentário já disponível na Netflix, intitulado Nada é privado – O escândalo da Cambridge Analytica, que narra um dos mais rumorosos casos de intervenção e golpe contra a democracia na era moderna. Ver o filme é entender como se pode obter nossos dados (Facebook, Google, Whatsapp) e manipulá-los com o propósito de violar a democracia e permitir a ascensão de governos autoritários e fascistas e que podem caminhar a passos largos para formas totalitárias de governar as pessoas. Hoje, em tempos de pós-verdade e fakenews, tornou-se o meio mais apropriado e sofisticado, diga-se de passagem, de instalar governos antidemocráticos e com inspirações autoritárias nos mais diversos e distantes lugares do planeta. Vi o documentário com o “coração na boca” e a indignação percorrendo as veias. E pensei, se eles intervieram com tamanha competência naquela que é considerada a maior potência do planeta e elegeram um pateta como o Trump, intervir nas eleições brasileiras para eleger uma pessoa autoritária, que fez da apologia da violência, do ódio e do preconceito a sua plataforma de campanha, como foi o caso do Sr Bolsonaro, para eles deve ter sido “fichinha”.

Enfim, o documentário que tem um discurso vigoroso num apoteótico final é para ser visto por todos os que queiram refletir sobre esses “tempos líquidos” (para usar uma expressão de Zigmunt Bauman) em que vivemos, e que queiram se dotar da responsabilidade política para a insurgência contra essa louca e insana política voltada para a destruição dos espaços comuns e da essência das democracias, a liberdade. E antes que seja tarde. Para que ao fim, não tenhamos que dizer: no fundo, no fundo fomos todos responsáveis.

Raimundo Silva, advogado aposentado, estudou Filosofia na Universidade Federal Fluminense e atualmente é mestrando em Filosofia Política pela Universidade do Minho, em Portugal.



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