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EUA, China e Canadá concentram 65% de toda exportação do Maranhão

São Luís, Imperatriz e Balsas se destacam entre as cidades maranhenses que mais têm exportado, apesar da alta do dólar e da “guerra comercial” entre Estados Unidos e China, dois grandes parceiros do Maranhão no comércio internacional.

Uma saída encontrada pelo estado foi buscar novos parceiros e diversificar a produção para que a arrecadação cresça e a posição no estado seja melhor que a de 2018 no ranking das unidades da federação que mais exportam.

O Maranhão exportou mais de US$ 2,34 bilhões de janeiro a agosto deste ano, uma queda de 9,82% em comparação ao mesmo período de 2018, quando se atingiu US$ 2,59 bilhões. Ainda assim, de acordo com a análise de José Henrique Braga Polary, coordenador de Ações Estratégicas da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema), se as exportações maranhenses mantiverem a média até o fim de 2019, será possível ultrapassar os US$ 3 bilhões, obtendo um resultado mais confortável no ranking.

Os três maiores importadores representam 64% de toda exportação do estado. EUA corresponde a 24%, China 21% e Canadá 19%, segundo dados do Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Juntos, adquiriram nos anos de 2017 até 2019, mais de US$ 5 bilhões em produtos. A China importou US$2 bilhões; Canadá (US$ 1,9 bilhões) e EUA (US$ 1,7 bilhões). “Embora estejamos concentrados na exportação para três grandes países, quando pegamos um rol maior de produtos, exportamos para um número muito maior de países”, destaca, Polary.

O especialista observou, ainda, que existe uma alternância entre China e Estados Unidos no ranking dos países que mais compram produtos do Maranhão. “Há um revezamento entre eles. Hora os EUA consomem mais, em outro momento é a China. Junto a esses, temos a Índia, Espanha, Itália; são aqueles que demandam mais exportação do nosso estado”, explanou.

Os produtos mais exportados de acordo com o fator agregado são: óxido e hidróxido de alumínio (37%); celulose (24%); soja (23%); minério de ferro e seus concentrados (7,4%), entre outros.

A exportação de soja, minério de ferro e alumina garantem ao Maranhão a oscilação entre a 8ª e a 13ª posição no ranking das exportações. Para José Polary, as exportações representam um ganho por causa do produto que está saindo, mas, também tem um fator desfavorável: a isenção de ICMS dos produtos de exportação. “O estado perde em arrecadação, mas, em termos de volume, há a presença do estado na pauta, no comércio, e isso acaba refletindo positivamente dentro da economia”.

No ranking estadual, São Luís lidera como o município mais exportador, a capital concentra o maior volume de exportação, em seguida vem Balsas e Imperatriz.

O especialista observa, também, que o Maranhão possui, ainda, outros municípios com menor volume, mas que também fazem parte da pauta de exportação.

Polary cita, como exemplo, Lago do Junco, pois, o local tem uma pauta de exportação por meio de cooperativas que exportam produtos derivados do coco babaçu. “A arrecadação tem valor baixo, mas, é mais um produto na pauta de exportação do estado”, esclarece o coordenador. Os dados do MDIC dos três últimos anos, 2017 a 2019, mostram o Maranhão ganhando espaço no comércio internacional, principalmente por causa da exportação de commodities. A principal forma de exportação dos produtos se dá em parte semimanufaturada e outra parte manufaturada.

José Henrique Braga Polary também citou a produção de ouro na pauta de exportação. Conforme frisou, essa produção já concentra um valor significativo, mas, pode aumentar ainda mais. Polary destaca que, para exportar, o Maranhão precisa produzir mais e diversificar a produção. “É uma premissa de que a gente exporta aquilo que é excesso do que precisa ser consumido internamente. Então, para que se possa aumentar a exportação sem sacrifício do mercado interno é preciso aumentar a produção”, declara.

O ouro entrou na pauta de exportação há pouco mais de cinco anos e, atualmente, já passa a compor a pauta do lado noroeste do estado, abrangendo o município de Carutapera e outras cidades da região.

“É uma premissa de que a gente exporta aquilo que é excesso do que precisa ser consumido internamente”

Os dados também dão conta de produtos que se somam à exportação, mas ainda são uma pequena parcela, como: Peixe, parte de derivado do bovino- vísceras- e uva. A produção é uma parcela pequena, não representa muito no ramo de exportação. Os produtos derivados da cadeia produtiva do alumínio e da soja continuam sendo, historicamente, os principais destaques na pauta de exportações do Maranhão.

Missões Internacionais

Para atuar na prospecção de novos mercados consumidores e clientes, os empresários maranhenses têm se dedicado às Missões Empresariais Internacionais. As viagens vêm acontecendo desde 2017 e visam a internacionalização dos empresários maranhenses por meio de visitas técnicas e rodadas de negócios.

Países como Portugal, Chile, China, e Dubai foram algumas das paradas dos empresários maranhenses. O coordenador de ações da Fiema analisa as missões como um movimento, no sentido de marcar presença no mercado estrangeiro.

Para o especialista, quem está no mercado internacional, hoje, é o grande produtor. “O grande produtor tem mecanismo próprio para entrar no mercado internacional, ele sabe como entrar. O pequeno e o médio têm dificuldade, então, é necessário que se trabalhe esse seguimento dos pequenos e médios, para que possam entrar melhor estruturados, para que coloquem o produto no mercado internacional”.

Para o José Polary, as missões que a federação tem estimulado promovem e favorecem um desenvolvimento de uma cultura exportadora no estado. “Nós vamos fomentar o trabalho de exportação, isso é um trabalho que agrega. Por exemplo, sentamos com a câmara de comércio dos EUA, Canadá ou Tailândia, e a maior parte da interação é mostrar o que o Maranhão produz e, também, conhecer o que os países precisam comprar. No fim, vamos equacionar os interesses deles e os nossos interesses”.

“Sentamos com a câmara de comércio dos EUA, Canadá ou Tailândia.”

Reforma Tributária

Os esforços dos empresários maranhenses para a expansão das exportações esbarram nas operações portuárias, aeroportuárias, transporte interno, burocracia alfandegária e aduaneira, mas, principalmente, na burocracia dos impostos.

A redução dos impostos seria um reforço para o mercado, explica Polary. “Há vários projetos de Reforma Tributária em andamento, alguns mais avançados e outros menos, mas o que vejo é que precisamos ter uma redução de imposto. De volume de imposto. De volume de tributo, mas, também, de carga tributária”.

Com preocupação, o coordenador afirma não ter como se pensar em uma reforma que aumente a carga tributária do país. “Você tem que trabalhar em cima disso, então, a gente está vindo por esse ângulo, da junção de vários impostos” e finaliza, “das propostas que vimos aí, pelo menos cinco impostos são fundidos em um só, mas, também, estamos vendo uma que defende um único imposto; é preciso que se defina o que acontece com as unidades, se vão trabalhar em um modelo em que o IVA é orientador, o Índice sobre o Valor Agregado, isso com o imposto favorecendo quem está comprando, não como é hoje, que o ICMS favorece a origem”, concluiu.

Fonte: https://oimparcial.com.br/cidades/2019/09/eua-china-e-canada-concentram-65-de-toda-exportacao-do-maranhao/



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