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19/06 - Sarney diz que vai abrir mais uma sindicância para apurar atos secretos no Senado.
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), anunciou nesta
sexta-feira (19) que será aberta mais uma sindicância na Casa para
apurar as novas denúncias sobre atos secretos, acompanhada por um
procurador federal.
“Diante das denúncias do funcionário responsável pela divulgação dos
atos do Senado tomei a decisão de abrir uma comissão de sindicância para
avaliar essas denúncias e que ela seja acompanhada por um procurador do
Ministério Público. E, de acordo com o resultado, ela punirá os culpados”,
disse Sarney.
Sarney se referia à denúncia do servidor responsável pela publicação dos
boletins de pessoal do Senado feita ao jornal "Folha de S. Paulo" de
que recebia ordens diretas para não publicar determidados atos.
"Não pode ter ato secreto se ele causa efeito. Se é uma nomeação,
ele toma posse. Esses cargos são criados e vai pra folha de pagamento, produz
efeitos, eles não podem ser secretos. (...) Faltou essa formalidade [a
publicação], segundo denunciou o funcionário encarregado," disse.
Ao ser perguntado sobre o possível envolvimento de senadores
nas decisões sobre publicar ou não atos, Sarney disse que os fatos serão
apurados pelo Supremo Tribunal Federal. “Se a comissão de sindicância atingir a
responsabilidade de algum senador, a Constituição determina que a competência
seja deslocada para o STF, que é o órgão competente para averiguar e processar
as responsabilidades”, argumentou.
Sobre a nova comissão de sindicância, Sarney afirmou que além do
Ministério Público, um auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) também
acompanhará as investigações.
Portal e
salários
Além dessa nova sindicância interna, Sarney anunciou também que haverá
um portal de transparência para divulgar todas as informações sobre o
funcionamento da Casa. Ele não deu data para início da divulgação dessas
informações na web.
Sarney falou ainda que vai pedir a Fundação Getúlio Vargas que faça uma
auditoria na folha de pagamento do Senado. “Auditoria da folha já foi
pedida pelo relatório da Fundação Getúlio Vargas e sempre se encontra erros. O
objetivo é economizar entre 20% e 30% da folha com isso”, disse.
Diretor-geral
Ao ser perguntado sobre a saída do diretor-geral do Senado, Alexandre
Gazzineo, disse que seria necessário conversar com a mesa diretora da Casa e
com os líderes partdários. Essa é uma
das propostas apresentadas por um grupo suprapartidário de senadores em
plenário na quarta-feira (17). "Ninguém deve ser afastado de
forma precipitada", afirmou Sarney.
Ontem,
Sarney já havia anunciado que tinha aceito algumas das propostas feitas
pelo grupo. Entre as medidas
anunciadas estavam a realização de auditoria externa para os
contratos firmados no Senado, o estabelecimento de uma meta de redução de
pessoal e a realização de sessão ordinária mensal no plenário para estabelecer
a votação de pauta.
O presidente também vai adotar a realização de sessão ordinária em
plenário para votação de medidas administrativas. As demais propostas reunidas
no documento entregue pelos senadores ainda serão avaliadas.
Polícia
Federal
Sarney descartou mais uma vez a participação a PF nas investigações
sobre os atos secretos. “A Polícia Federal simplesmente apura crimes no setor
federal. Então, não podemos chamar a polícia para participar de uma sindicância
interna de uma Casa de funcionários. Aí nós todos estaríamos destruindo o
estado de direito”, argumentou.