25/05 - Justiça determina compensação financeira por infidelidade.
Traição pode custar
caro. Já há casos no Brasil em que a Justiça determinou compensação financeira
por infidelidade. No ano passado, a vida do carpinteiro Ediel Dias Ribeiro deu
uma reviravolta: ele descobriu que estava sendo traído pela mulher.
“Todo mundo falava
que ela tava ficando com meu tio, né? Irmão da minha mãe. Pensei que era
mentira, tal, mas fui atrás... Peguei. Aí eu falei: tá bom, então tu fica com
ela que eu to indo embora”, disse Ediel.
Risos, Piadas? O que
se fala por aí quando o assunto é traição? “Se a gente for largar homem porque
ele traiu não vai ter nenhum. Porque nenhum deles é santo minha querida. Todos
traem”, disse uma mulher. “Não pode entrar no mato que ele se engancha o
chifre”, disse um homem, que em seguida deu uma risada.
Mas para a Justiça,
traição não é brincadeira. Nos tribunais são cada vez mais frequentes sentenças
de indenização por danos morais em caso de quebra de fidelidade em um
casamento. Se a traição é inesquecível para quem foi traído, ela também pode
ser inesquecível para quem traiu.
O cliente do advogado
Mauricio Lindoso recebeu o aviso por telefone: um homem havia entrado na casa
dele. Pensando que se tratasse de um assalto, o marido chamou a polícia. Todos
acabaram testemunhando a cena constrangedora.
“Imagine você chegar
em casa encontrar a sua esposa na cama do casal, no leito conjugal, desnuda,
mantendo relações sexuais com outra pessoa?” disse o advogado.
Depois do flagrante,
o marido traído entrou na Justiça e conseguiu R$ 7 mil de indenização.
Reparação financeira compensa a dor da infidelidade? Nem sempre, diz a
socióloga Lourdes Bandeira. O mais comum é usá-la como vingança.
“Todo dano emocional,
afetivo, psicológico que vai sofrer a pessoa traída não será resolvido
necessariamente com a compensação material. Mas há um... Pode haver uma
satisfação, um bem estar passageiro até, momentâneo, de que aquela traição foi
compensada materialmente”, disse a socióloga.
Em casos assim, a
Justiça busca o meio termo. “A indenização o juiz deve fixá-la a ponto de
trazer um conforto financeiro para a parte que foi violada, sem causar uma
ruína financeira da parte que causou a desonra”, disse o advogado Rômulo Sulv.
Hoje separado, Ediel
nunca pensou em indenização, nem por vingança. Acha que já conseguiu dar a
volta por cima de outro jeito. “No meu caso é o desprezo”, disse o carpinteiro,
que responde “não, graças a deus, não!”, quando perguntado se está casado de
novo.